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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

FOI MAU POETA


Pessoa que me perdoe,
Mas o poeta não é um fingidor,
Poeta não mente!
Ele sempre diz a verdade.

As verdades do Mundo,
Dos outros,
E as suas...

sábado, 12 de dezembro de 2009

CAMINHOS


A vida não presta, ou talvez preste, sei lá!

OLHA...

Já tive tantos enganos, ou talvez desenganos, sei não!

VEJA...

Meus pensamentos tão confusos, quem sabe difusos...

QUISERA...

Que eu fosse descomplicado, complicado, talvez...

PUDERA...

Saber o que pensas, decifrar, tuas vontades, fazer o que gostas...

QUEM SABE...

Se tu me deres uma pista! (...)

Rio/Niterói,
Estrada de Santos,
Av. São João.

SABE,

Quem sabe?

Quisesse!

Ver,

Enxergar...

Que o amor é uma via de mão dupla! (...)

E eu, depois...

De tantos desenganos, complicações, pensamentos errados,

Já não tenho mais medo de amar,

E VOCÊ?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

JOÃO, O PÉ, PUTEIRO E SOLIDÃO

“Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome / Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores / Passeio pelo escuro...” (Cores – Adriana Calcanhoto).

João ficou podre de rico e infeliz. Após ter roubado a galinha dos ovos de ouro e a harpa de ouro do gigante, ainda por cima trouxe consigo o número do celular da mulher do gigante otário que ele engabelou.

Quando terminou de pôr o pé de feijão mágico no chão, correu atrás da mãe ingrata e lhe esfregou a harpa e a galinha de ouro. Deste dia em diante João trocou de nome, de cidade e de mãe! Deixou para trás aquela velha coroca que lhe maltratava. Lembrou das infindas secções de surra que levou, pois era “o pára-raios” de sua progenitora. Toda a dor e angustia da pobreza vivida por eles era descontado nele.

Comprou passaportes falsos, fez uma plástica e mandou a galinha botar ovos em série; ela pôs tanto ovo, mais tanto ovo, que não resistiu e morreu. Com raiva dela, fez um caldo e arrancou seu cú de ouro. Após comê-la levou os ovos a um banco e converte-os em muito dinheiro. Fez investimentos em fundos de rendimento fixos, comprou iate, casa de luxo e carros importados do ano. Fez vestibular para jornalismo, e virou magnata das comunicações, tornando-se um dos mais influentes personagens de seu país influenciando até eleições para Primeiro Ministro. Sabendo da separação do gigante, ligou para ela marcado um encontro. Casou com a giganta e tiveram três filhos.

Os anos se passaram e a infelicidade venho junto. A giganta já não dava mais no couro como antigamente... Seus filhos, mal educados e ambiciosos não estavam nem aí para o futuro de seus investimentos. Já não agüentava suas amizades falsas, fúteis e interesseiras; também perdeu o “T” pelos negócios, delegando a administração a assessores mais próximos.

Um belo dia, entediado de tudo deu uma desculpa esfarrapada para a mulher e saiu sem rumos pelas ruas. Pela janela do carro observava a movimentação; pessoas falando ao celular enquanto dirigiam, garotos de rua vendendo balas e chicletes, bares abarrotados de pessoas, acidentes de transito, enfim, a vida acontecendo e sua vida lhe entediava.

Lembrou de sua mãe e dos tempos de miséria. Por um instante quis voltar aquela época e reviver a aventura de ter roubado a galinha e a harpa de ouro; por um momento um sorriso lhe veio a face acalentando seu coração.

De repente percebeu que estava num dos bairros mais pobres da cidade, lugar de prostituição e drogas. Encostou o carro e viu no letreiro “Puteiro Buenas Vista – O Prazer mais barato da cidade”. Adentrou o recinto e observou o naipe que estava a sua disposição; escolheu uma morena magérrima, peito murcho, sem bunda e dentes da frente falhados de nome Godolfreda.

– Quanto custa o serviço moça?
– É R$ 15,00 gatão, mas pra você faço por R$10,00, vai?

Foram para o reservado e quando tiraram à roupa notou que “Freda” tinha metade das pernas raspadas e outra parte cabeluda. Viu que os cabelos da perna dela eram maiores que os seus; sentiu nojo, repulsa, quase vertigem, mas já estava lá e não iria voltar mais. Adentrou Freda “a meia bomba”, sem vontade quase alguma...

Para tentar se animar pensou na gigante e nos bons tempos onde só bastavam se beijar para o sexo acontecer. Com movimentos rápidos gozou sem nenhuma satisfação a mais que os segundos de êxtase que o corpo proporciona. Saiu de cima dela com rapidez e foi ao banheiro lavasse; esfregou-se com força como quem tenta se desfazer de uma mancha. Pagou Freda e saiu do puteiro com vontade de vomitar.

Chorando guiou até sua casa com um vazio maior do que saiu. Chegando, sentou em sua confortável cadeira de balanço e começou a beber seu uísque 18 anos; pensou em sua vida e por tudo que passou. Pela primeira vez desde que deixou sua mãe sentiu remorso por isso. Aliás, sentiu remorso de tudo! (...) De ter trocado a vaca pelo punhado de feijões mágicos, por ter roubado galinha, ovos, harpa de ouro e a mulher do gigante.

Pela primeira vez sua solidão veio acompanhada da consciência de estar só... Sem amigos leais, sem uma família ideal, sem um prazer arrebatador.

João agora é Juan, tem 50 anos, magnata das comunicações, casado, filhos, carros, iates, e casa na praia. Tem tudo que o dinheiro pode comprar menos paz de espírito.

BOO-BOX!!!

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